Quaresma, cinzas e esperança

Por toda a Escritura, “cinzas” nos remetem à cada uma dessas idéias. Quando as pessoas estavam arrependidas, ou assoladas por uma tristeza profunda (devido a perda de um ente querido, por exemplo), costumavam se vestir de saco e se cobrirem de pó e cinzas.

Antes de qualquer outra coisa, as cinzas nos falam da nossa própria finitude. E o que são as cinzas, senão pó? Quando o fogo consome algo, resta somente poeira. Pó e cinzas testemunham o quanto a vida é ilusória, passageira e frágil. Agora estamos vivos, mas até quando? Por mas um minuto? Por mais um mês? Até que terminemos essa leitura? A única certeza é a de Gênesis 2:7, “Tú és pó e em pó te hás de tornar”.

A Quaresma pode ser compreendia como um olhar para essa certeza inevitável, porém constantemente negada. Na ilusão de que ainda teremos o amanhã para desfrutarmos, as cinzas nos recordam o que de fato somos, pó e cinzas.

Mas é também um convite à esperança. Quando a Quaresma termina, as escuras noites do Tempo Pascal nos sobrevêm, para alguns dias depois serem vencidas pela manhã do Dia do Senhor, o Domingo da Ressurreição. Contudo, para chegarmos à vitória da Pascoa, é preciso caminhar 40 dias pelo deserto da contrição e do arrependimento.

(*) Importante observar que o uso de cinzas não faz parte do Livro de Oração Comum de 1662. Esse costume começou a ser parcialmente introduzido no Anglicanismo em meados do Século XX; na Inglaterra, ainda hoje, a maioria das paróquias parece não ter aderido a prática.

Marcelo Lemos, presbítero.

Oásis Church. Free Church of England – Diocese Sul-Americana.

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